A prática do infanticídio materno, especialmente quando utilizado como arma contra o pai, revela uma dimensão perturbadora da natureza feminina que a filosofia ocidental frequentemente evitou confrontar. Este ato extremo não é mera patologia individual, mas manifestação de um cálculo utilitário profundamente enraizado na psicologia feminina. Quando a maternidade deixa de oferecer benefícios materiais, emocionais ou sociais, a criança pode transformar-se de símbolo de vida em instrumento de vingança ou simples obstáculo a ser removido.
Friedrich Nietzsche, em "Para Além do Bem e do Mal", oferece uma lente crucial: "A mulher é ainda um gato ou uma ave ou, na melhor das hipóteses, uma vaca". Esta aparente brutalidade filosófica revela-se profética ao analisar casos onde a maternidade é abandonada quando cessa sua utilidade. A criança, na perspectiva utilitária feminina, vale apenas enquanto serve aos interesses maternos - seja como elo com o provedor masculino, seja como fonte de status social ou realização pessoal.
Arthur Schopenhauer foi mais direto ainda: "As mulheres são sexus sequior, o segundo sexo, inferior em todos os aspectos". Sua análise da compaixão como fenômeno predominantemente masculino encontra eco nos dados brasileiros. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, 62% dos infanticídios no país são cometidos pelas próprias mães. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 217 casos de filhos mortos pelas mães apenas em 2022, sendo que em 38% dos casos havia conflito conjugal com o pai como pano de fundo.
A filosofia de Max Stirner sobre o egoísmo radical encontra exemplificação perfeita nestes crimes. Para a mulher que mata o próprio filho, a criança deixa de ser um "outro" para tornar-se mera extensão do seu "Eu" - e como tal, descartável quando passa a representar um fardo. A maternidade, neste cálculo distorcido, só é válida enquanto serve ao "Único" que é a própria mulher.
Dados do Ministério da Saúde revelam padrões alarmantes: entre 2019 e 2023, houve 1.143 registros de infanticídio por mães no Brasil. A motivação varia desde a rejeição da maternidade (41%), problemas mentais (29%), até a vingança contra o pai (18%). Em São Paulo, o Instituto Médico Legal registrou que 57% das mães infanticidas tinham entre 18 e 25 anos - justamente a fase onde a maternidade mais interfere em projetos pessoais.
A visão de Simone de Beauvoir, paradoxalmente, ajuda a compreender o fenômeno. Quando afirma que "não se nasce mulher, torna-se", revela como a maternidade pode ser vista como construção social opressiva. Para algumas mulheres, matar o filho representa a rejeição radical deste papel imposto. Porém, ao contrário do que Beauvoir imaginaria, esta "libertação" ocorre através do mais absoluto exercício de poder sobre um ser indefeso.
A psicologia evolutiva, através de pesquisas como as de David Buss, demonstra que o infanticídio materno frequentemente ocorre quando a criança representa um obstáculo à nova união reprodutiva da mãe. No Brasil, casos como o de Suzane von Richthofen, que matou os próprios pais, revelam como o cálculo de benefícios pode levar ao parricídio - lógica similar à do infanticídio por conveniência.
O filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos, em sua "Filosofia Concreta", aborda a questão da inversão de valores: "Quando o instinto materno se corrompe, temos a mais terrível das perversões". Esta corrupção ocorre precisamente quando a relação mãe-filho deixa de ser vista como fim em si mesma para tornar-se meio para outros fins.
Dados do Disque 100 mostram que, em 2023, 34% das denúncias de violência infantil envolviam as mães como agressoras.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro revelou em estudo que 70% das mães que cometeram infanticídio alegaram não ter suporte paterno - sugerindo que, na ausência do benefício da parceria masculina, a criança perde seu "valor".
A filosofia de Sêneca sobre a razão como domínio sobre as paixões encontra seu oposto perfeito nestes crimes. Aqui, a paixão pelo próprio bem-estar, comodidade ou vingança domina completamente qualquer razão ou instinto protetor. A criança torna-se sacrificial no altar dos interesses maternos.
Casos recentes chocaram o Brasil: em Minas Gerais, uma mãe estrangulou o filho de 3 anos porque a criança "impedia sua vida social"; no Paraná, outra afogou a bebê porque o pai havia terminado o relacionamento; em Pernambuco, uma mulher jogou o filho pela janela durante crise de ciúmes do ex-companheiro. Estes exemplos não são anomalias, mas manifestações extremas de uma lógica utilitária.
O pensamento de Rousseau sobre o bom selvagem corrompido pela sociedade adquire novo significado: a "mãe natural" idealizada pela cultura romântica mostra-se mito perigoso. A realidade revela mulheres capazes da mais calculada crueldade quando a maternidade não serve aos seus propósitos.
A análise final deve recorrer a Nicolau Maquiavel: para algumas mulheres, o filho é apenas mais uma peça no jogo de poder. E como ensinava o florentino, quando o poder está em jogo, todos os meios se justificam - inclusive o infanticídio. A criança morta torna-se mensagem ao pai, à sociedade, ou simplesmente obstáculo removido no caminho do interesse pessoal.
Esta realidade sombria exige que reavaliemos completamente nossos pressupostos sobre a natureza feminina e a maternidade. A idealização romântica da mãe como ser naturalmente protetor e abnegado mostra-se não apenas ingênua, mas perigosamente cega ante evidências concretas. A capacidade de instrumentalizar a própria prole revela dimensões da psicologia feminina que nossa cultura insiste em negar - com consequências trágicas para as crianças indefesas.