Três décadas nesse jogo sujo e finalmente entendi: ser provedor é uma das maiores armadilhas já criadas para o homem. Você é treinado desde cedo. Cresce ouvindo que seu valor se mede pelo quanto você sustenta. Que seu suor, suas horas, sua saúde, tudo é moeda de troca por afeto e respeito. Mas a conta nunca fecha. Quantos de nós não se acabaram em empregos que odiavam? Quantos não abriram mão de sonhos, hobbies, amigos, dias de descanso? Quantos não sacrificaram o corpo e a mente para manter uma casa, uma família, uma posição social que, no fim, não era nossa? A pandemia matou isso pra mim. Ver homens morrendo e, ao mesmo tempo, sendo descartados como peças quebradas por suas próprias famílias, foi a pá de cal na ilusão. A verdade nua e crua é que o provedor é um fantoche. Você é amado não pelo que é, mas pelo que pode dar. A admiração que você sente, se é que sente, é condicional. É frágil. Se amanhã você perder a capacidade de prover, se um acidente te incapacitar, se um burnout te parar, aquela mulher que sorria no churrasco do domingo vai embora sem olhar para trás. E vai levar a criança. E o juiz vai te chamar de devedor. Homem provedor não é patriarca. É servo. É burro de carga que puxa a carroça e ainda é chicoteado por não correr mais rápido. Enquanto isso, a mulher moderna quer independência, mas não abre mão do luxo. Quer liberdade, mas não quer pagar a conta. Quer os direitos do feminismo e os privilégios da tradição. Cansei. Meu tempo, minha energia, meu dinheiro, meu corpo são recursos finitos. E não vou mais entregá-los de graça em troca de migalhas de validação. Ser provedor hoje é ser otário. E eu não nasci ontem pra continuar nessa.
Bruno Silva
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