A ausência de reconhecimento internacional à vitória de Lula não é acidente diplomático é sintoma. Um líder que se apresenta como campeão da democracia não consegue a validação das principais potências porque o próprio sistema que o sustenta está corroído. O silêncio dos chefes de Estado estrangeiros revela o que os holofotes internos escondem: um governo que fala para dentro, que se legitima pela narrativa e não pelo resultado, e que depende de uma máquina midiática para simular apoio que não existe lá fora.
Quando um presidente precisa de nota oficial de autopromoção para provar que é reconhecido, o reconhecimento já não é fato é propaganda. A diplomacia real se mede em acordos assinados, investimentos concretos, tratados ratificados. Não em cumprimentos protocolares que qualquer chanceler pode emitir em duas linhas. O vazio de manifestações expressivas dos grandes centros de poder expõe a fragilidade de uma política externa construída sobre discurso ideológico e não sobre interesse nacional.
O Brasil não precisa de aprovação estrangeira para ser soberano mas quando um governo se vangloria de inserção internacional e colhe indiferença, é porque a máscara caiu. O mundo não reconhece o que não é real. E o que resta é a velha política do espetáculo: palco cheio, plateia vazia.
Vitória Souza