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A Idealização de um Mundo Perfeito

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O perfeito é uma questão de ponto de vista.

A esperança de um mundo perfeito é a mais antiga e a mais perigosa das ilusões. Nasce da constatação de que o real é imperfeito e da recusa em aceitar que a imperfeição é a própria condição da existência. Quem projeta o paraíso na terra não está buscando perfeição: está fugindo da responsabilidade de governar o que é imperfeito.

A filosofia séria sempre soube disso. Platão sonhou a República ideal e entregou um projeto de tirania. O cristianismo prometeu o Reino e construiu um altar de culpa e submissão. O iluminismo prometeu a razão universal e pariu o terror. O comunismo prometeu a igualdade e produziu o genocídio. Toda promessa de mundo perfeito termina em cemitério porque o mundo perfeito exige a eliminação do que não se encaixa nele, e o que não se encaixa é sempre a liberdade soberana, imperfeita por natureza.

O mundo perfeito não existe porque a perfeição não é um estado a ser alcançado, mas uma tensão a ser sustentada. Não se trata de eliminar o conflito trata-se de ordená-lo. A justiça não espera o paraíso: constrói a ordem. Não aguarda a redenção: ela mesma se torna o fundamento de sua existência, soberana sobre sua casa, sua terra e sua prole.

A esperança verdadeira não é a esperança do mundo perfeito é a esperança de quem se basta. Quem espera o paraíso é escravo do futuro. Quem constrói a ordem é senhor do presente. O mundo não será perfeito nunca e é exatamente por isso que há o que fazer.

Vitória Souza 

Comentários
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Parabéns 👏 👏 👏, você foi perfeita nessa analise. Toda promessa de paraíso na terra é isca de tirano. Platão, cristianismo, iluminismo, comunismo, mesma linhagem de engano que termina sempre em vala comum. A perfeição não é destino, é tensão sustentada por homem que se basta. Quem espera redenção é escravo do amanhã; quem ordena a própria casa é soberano do agora. A imperfeição não é defeito a corrigir, é o próprio terreno onde a liberdade se exerce.

     
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