Antigamente, o ato de votar era revestido de solenidade e respeito cívico. As pessoas se organizavam em filas silenciosas, vestiam-se com decoro e tratavam a urna como um altar silencioso da vontade popular.
Havia um sentimento de dever e honra, e o sigilo do voto era preservado com seriedade. O cidadão entrava na seção eleitoral com passos medidos, ciente de que aquele gesto representava a alma da democracia.
Atualmente, observa-se um triste espetáculo, sobretudo entre as classes sociais mais baixas, onde a eleição virou um circo. O que deveria ser um momento de responsabilidade transforma-se em festa barulhenta, confraternização de rua, troca de santinhos, compra de votos por migalhas e até mesmo exibição de celulares filmando o voto em troca de likes.
A fila vira local de algazarra, bebida e briga, e a urna deixa de ser respeitada para ser tratada como mero detalhe em meio à bagunça. A reverência de outrora deu lugar ao deboche, e o resultado é a banalização do processo que deveria ser o mais sagrado da vida pública.
Vitória Souza