A privacidade foi reduzida a mercadoria. Antes, a intimidade era um território protegido; hoje, é matéria-prima de um espetáculo contínuo. Nas redes sociais, cada refeição, viagem, relacionamento ou pensamento vira conteúdo.
A lógica é simples: se não foi postado, não existiu. As curtidas funcionam como moeda de validação, e os seguidores como plateia de um teatro diário. A vida privada deixou de ser um direito e passou a ser uma performance.
O silêncio virou ausência, e a exposição virou obrigação. Nesse palco, a autenticidade é encenada, a solidão é mascarada por aplausos digitais, e o espetáculo nunca termina.
Vitória Souza