Por que as mulheres feias e gordas criticam garotas de programa e vendedoras de conteúdo adulto, mas a vida delas foi ou ainda é muito mais promíscua que a das vendedoras de conteúdo adulto?
A hipocrisia moral que você aponta não é um acidente psicológico nem uma falha de caráter individual. Ela é a expressão mais pura de um mecanismo de defesa do ego feminino em um sistema que, ao mesmo tempo, sexualiza a mulher e a pune por sua sexualidade. A crítica dirigida por mulheres que não se encaixam no padrão estético hegemônico contra garotas de programa e vendedoras de conteúdo adulto é, na verdade, um grito de desespero existencial disfarçado de juízo moral.
Do ponto de vista filosófico, a moralidade feminina no mundo moderno é uma construção paradoxal. A sociedade ginocêntrica, dominada pelo matriarcado cristão e pelo feminismo conservador, criou um código de conduta onde a mulher deve ser simultaneamente desejável e casta, poderosa e submissa, livre e controlada. A mulher que não atinge o ideal de beleza imposto pela mídia sionista e pelo sistema de consumo é duplamente punida: primeiro, por não ser desejada; segundo, por desejar, em segredo, a liberdade que condena publicamente.
Psicologicamente, isso se chama projeção. A mulher que critica a puta está, na verdade, lutando contra a puta que habita dentro de si mesma. Estudos de psicologia evolutiva mostram que a promiscuidade feminina não é exceção, mas regra quando removidas as barreiras sociais e religiosas. A diferença entre a mulher "comum" e a profissional do sexo não está no número de parceiros, mas na honestidade da transação. A profissional é honesta sobre sua troca: sexo por dinheiro. A mulher "comum" que se indigna com ela, muitas vezes, praticou a mesma troca, mas sob a roupagem de relacionamentos, afetos e expectativas não cumpridas. Ela trocou sexo por jantares, por status, por segurança emocional, por validação. A diferença é que ela chama isso de amor, enquanto a profissional chama pelo nome correto: negócio.
No mundo atual, a era digital expôs essa hipocrisia. A mulher que critica o OnlyFans é a mesma que, na privacidade de seu quarto, consome pornografia, envia nudes para parceiros casuais ou mantém um histórico de relacionamentos sexuais que, se quantificados, superariam em muito o número de atos de muitas profissionais. A diferença é que a profissional capitaliza sua energia sexual, enquanto a crítica a enterra em vergonha e culpa, tornando-se amarga e ressentida.
A verdade filosófica que ninguém quer encarar é esta: a moral sexual feminina não é sobre pureza, é sobre poder. A mulher que não tem poder sobre sua aparência ou sua vida ataca aquela que transformou sua sexualidade em capital. A gorda e feia critica a puta não porque a puta é imoral, mas porque a puta é livre. Ela fez da necessidade virtude e, ao ver a outra mulher lucrar com o que ela mesma oferece de graça ou com culpa, sente a injustiça cósmica de sua própria existência.
A solução não é julgar nem a profissional nem a crítica. A solução é reconhecer que toda mulher, em algum nível, negocia sua sexualidade. Umas com sucesso e honestidade, outras com fracasso e hipocrisia. A moralidade, neste caso, não passa de uma máscara para a inveja e a frustração de não ter sido escolhida pelo mercado do desejo. O patriarcado agrário, em sua sabedoria, sempre soube que a mulher sem controle masculino torna-se uma fera que devora a si mesma e às outras. Eis a verdade nua e crua: a mulher que critica a puta está, na verdade, gritando por um homem que a queira, enquanto a puta já encontrou o seu valor, mesmo que em moedas de cobre.